GAP 2011

Grupo de Apoio Pedagógico, ou GAP, é um grupo de educadores da Prefeitura Municipal de Taboão da Serra que trabalha em prol da educação. O trabalho é feito, basicamente, com os alunos do 3o. ano que ainda não estão alfabetizados. Com idéias simples mas bem direcionadas, é um dos principais motivos pelo qual o IDEB do município está subindo... Idéias, sugestões, curiosidades... sejam bem vindos!

domingo, 18 de setembro de 2011

Bingo -- professora Bárbara Ferraz


Dentro da caixa há várias fichas com palavras de diversos gêneros: frutas, animais, brinquedos, etc.
Os alunos recebem as cartelas, fazem uma leitura prévia, escolhem as palavras e anotam as de sua preferência.
O jogo começa. A professora sorteia as palavras, dá dicas para que eles antecipem a leitura, como por exemplo: “a palavra é um animal e começa com a letra M...”, desta forma os alunos antecipam a leitura.
Cada criança fica responsável por fazer a marcação e quem preencher a cartela primeiro, é o vencedor!.
Antes da premiação, a professora, juntamente com os alunos verificam se a cartela seguiu todas as etapas definidas para o jogo.
As crianças ficam eufóricas, pois o prêmio estimula a participação e o jogo atrai a atenção.


terça-feira, 13 de setembro de 2011

Jogo: Boliche

Objetivo: acertar um pino e conseguir formar uma palavra (escrita, não falada) com a letra do pino derrubado.







segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Relato- por Lilian Barrelo


Sou professora de Educação Infantil a 25 anos, adorava trabalhar com o antigo “Pré”, como alfabetizadora. Cheguei ao G.A.P. no inicio de 2010, e muitas das minhas certezas, enquanto educadora, tipicamente construtivista, foram abaladas.
Como entender que nem todos constroem a escrita da mesma forma? Que a alegria de ver um aluno silábico-alfabético ou até mesmo alfabético na Educação Infantil, torna-se um sentimento angustiante, quando um aluno está no 3º Ano e permanece com as mesmas hipóteses de escrita. Seria dificuldade de aprendizagem, falta de informação sobre questões ortográficas, ou metodologia inadequada?
Com o passar do tempo, percebi que não existe um fator específico, que muitas são as causas e que o desafio deste trabalho, é procurar oportunizar a todos o direito ao conhecimento da língua escrita.
Portanto descrever um aluno do G.A.P., com uma trajetória de aprendizagem interessante, para mim torna-se uma tarefa difícil, pois aprendi no decorrer destes dois anos, a olhar cada criança de uma forma especial.
“N” frequenta o projeto a dois anos, mora num orfanato, é inquieta, curiosa e carinhosa, não conhecia o alfabeto, hoje apesar de seus repentes de “viagem astral”, lê decodificando e escreve quase de forma ortográfica. “P” não para quieto, seus olhos movimentam-se quase tão rapidamente quanto seu corpo, tem baixa autoestima, dificuldade em entender sua vida, um tanto complicada para alguém que tem apenas oito anos, entretanto no grupo, sente-se entre iguais e através de algumas recompensas esforça-se para se tornar um bom aluno. “L”, iniciou este ano, mal conhecendo o alfabeto, pouquíssima concentração, mas ótima retórica, uma inteligência emocional bem desenvolvida, identificou-se com o método fônico e um dia falou: “- Ah, agora “tô” entendendo, porque minha professora não explicou assim antes”. Sem falar em “W”, tem baixa visão, muito desatento e que apresentou uma boa evolução, quando começou a participar também de um grupo diferenciado, onde as atividades são mais lúdicas, manuais e corporais, só então internalizou o alfabeto e evoluiu na construção da escrita.
Enfim, poderia comentar um pouquinho de cada criança que frequenta ou frequentou o G.A.P., pois todos deixaram sua marca e me sinto completamente grata, pela oportunidade que me deram de voltar a sentir prazer em ser educadora e a me tornar uma pessoa melhor.
Acho que aprendi muito mais com os alunos, com o trabalho e com a orientação oferecida pela Divaní, do que propriamente os alunos aprenderam comigo; pois foi conhecendo as habilidades e identificando o estilo de aprendizagem de cada um, que o trabalho foi sendo organizado e reestruturado, a fim de que todos pudessem ter acesso à linguagem escrita.
Gostaria de descrever duas aulas que foram interessantes e produtivas, pois apesar de muito simples, conseguiram atrair e atingir crianças que apresentam dificuldades:


Atividade 1 – Sapo
Justificativa: Através de uma atividade lúdica, garantir que os alunos internalizem a ortografia do S e do P.
Objetivos: - Memória;
                      - Ortografia de palavras com S e P.
Conteúdo: Ortografia
Etapas previstas: - Fazer a dobradura do sapo (fantoche);
                                   - Cantar músicas referentes ao tema;
                                   - Escrita coletiva na lousa de palavras com S e P;
                                   - Copiar as palavras numa tira de papel que se transformou na língua do sapo;
                                   - Leitura individual da lista;
                                    - Levar para casa e estudar para ditado;
                                    - Ditado interativo das palavras e da música preferida.
                *O ditado foi um sucesso!
Atividade 2 – Alfabeto
                Justificativa: Através de modelagem, letras móveis e brincadeiras fazer com que os alunos internalizem o alfabeto.
                Objetivo: Garantir que os alunos memorizem o alfabeto para que possam evoluir em suas hipóteses de escrita.
                Conteúdo: Alfabeto.
                Etapas previstas: - Cada aluno recebeu uma ficha em papel cartão com o alfabeto;
                                                   - Cantar a música do alfabeto (“bichonário”), acompanhando com o dedo;
                                                   - Escrita coletiva na lousa do nome de alguns animais do “bichonário”;
                                                   - Modelagem das letras sobre o papel;
                                                   - Leitura individual do alfabeto (sequência aleatóriamente, e trás para frente.
*Na próxima aula continuaram o trabalho com letras móveis, montando sequência e escrevendo em dupla.                            







  

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

A memória como recurso na aprendizagem- por Luana da Silva Santos



Nosso conhecimento, experiências e práticas diárias, das mais simples às mais complexas, se tornam possível devido nossa memória, que é um processo de retenção de informações por um curto ou longo período de tempo, que se armazenam em nosso cérebro, e está interligado com o processo de aprendizagem e produção de conhecimento.
Em sala de aula o estímulo da memória é importante, pois é nela que muitas vezes o aluno irá buscar meios para resolver suas dúvidas, isso acontece porque ao longo de nossa vida vamos conhecendo e memorizando muitas palavras e com isso criamos um Dicionário Mental, um dicionário próprio, criado em nossa memória, que nos ajuda em nossa comunicação verbal e escrita. Dessa maneira um aluno que está em processo de alfabetização pode recorrer a sua memória para ter referências de como escrever determinada palavra a partir de outras que ele já conhece.

Considerando então que o aluno já possui uma boa base alfabética é preciso então ensiná-lo sobre as convenções ortográficas e algumas vezes memoriza-las, visto que dependendo da idade dos alunos torna-se difícil para eles compreenderem regras complexas ou até algumas que não possuem explicações, assim o aluno poderá recorrer à sua memoria diante de suas dúvidas. É claro que o aluno não aprenderá todas as regras ortográficas simplesmente decorando conceitos sobre as mesmas, mas é necessário considerar que e que a retomada desses conceitos é fundamental para sua aprendizagem.

Pensando nisso, abaixo será apresentada uma proposta de atividade cujo intuito é auxiliar na reflexão do sistema de escrita e também uma breve descrição da minha experiência ao realizar a aplicação da mesma.


Nome da atividade: Trilha ortográfica
Justificativa: Desenvolver uma atividade que possibilite aos alunos refletirem sobre o sistema de escrita e através disso diminuírem os erros ortográficos, neste caso em relação a troca de letra com sonoridade parecida (F/V).
Objetivos:
·        Refletir sobre o sistema de escrita;
·        Perceber a diferença sonora entre as letras F e V;
·        Disponibilizar subsídios para que o aluno melhore sua ortografia, neste caso em relação a dificuldade na percepção do uso da letra F ou V.
Conteúdo: Ortografia
Etapas previstas: Esta atividade será desenvolvida em duas aulas.
Primeira aula
Procedimentos:
·          Realizar a leitura do texto de maneira integral para os alunos, chamando a atenção para o fato de haver diversas palavras nas quais se utilizam as letras F e V;
·          Fazer novamente a leitura do texto, mas desta vez os alunos irão completa-lo com a letra F ou V de acordo com a palavra;
·          Fazer a correção das palavras do texto.
Segunda aula:
Recursos materiais: Uma trilha para o jogo, placas com as letras F e V, lápis, borracha e folha de caderno ou sulfite.
Procedimentos:
·        Dividir os alunos em dois grupos;
·        Entregar para cada grupo duas placas, uma com a letra F e outra com a letra V;
·        Ditar para os grupos uma palavra (que poderá ser do texto trabalhado anteriormente) cuja letra inicial seja F ou V e dar um tempo para que eles pesem, feito isso os dois grupos deverão mostrar a letra que escolheram.  O grupo que acertar andará uma casa na trilha do jogo. Ganha a equipe que chegar ao final da trilha primeiro.
·        Registrar as palavras ditadas no jogo.

Registro da atividade:
Realizei as atividades com os alunos do GAP (Grupo de Apoio Pedagógico), dando continuidade ao trabalho que estava desenvolvendo e também por perceber que os alunos ainda confundiam muito as letras F e V.
Na realização da primeira atividade percebi que alguns alunos ainda confundiam muito o som da letra F com o da letra V, mas no decorrer da atividade e com o processo de correção estes alunos foram percebendo como identificar a letra a ser usada.
A segunda atividade, apesar de ser simples, chamou a atenção dos alunos, que pediram para jogar mais uma partida do jogo, mas na segunda partida (para dificultar um pouco o jogo) pedi aos alunos que em grupo escrevessem 10 palavras e que eles ditariam para o grupo adversário, desta maneira eles exercitaram a escrita e a leitura também.
    Também pude perceber que na segunda atividade os a troca de letras nas palavras foi muito menor em relação na primeira atividade
      Todas as turmas demonstraram gostar das atividades, principalmente do jogo.


           

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Relato - por Ana Paula Di Santi





O trabalho do GAP “Grupo de Apoio Pedagógico” ocorre de forma diferenciada. O atendimento individualizado proporciona outro olhar a respeito do aluno e por trabalhar com grupos menores ,a chance de intervenção é constante e imediato, assim o trabalho transmite práticas e conteúdos significativos que possibilita uma flexibilidade de estratégias de acordo com a necessidade de cada aluno/grupo.
As aulas são divididas em cinco momentos: o que eu vou ler e escrever e o que os alunos lerão e escreverão e brincadeiras/jogos, além disso, cada educando tem seu próprio caderno e o treino da leitura e o ditado são diários e constantes, podem ser realizados hora no individual, hora em duplas, hora em quarteto e muito no coletivo.
         No primeiro semestre estava com duas turmas de quinze alunos cada, a freqüência era de duas e três vezes na semana e eram atendidos somente alunos dos 3º anos. Já no segundo semestre, após o remanejamento, foi aberta mais uma turma. Agora são atendidas duas turmas de 3º anos (duas vezes na semana) e outra turma de 4º e 5º anos, embora tenham atingido a base alfabética, necessitam de um atendimento dirigido das regras da língua português, bem como concordância, coesão e coerência no que escrevem, lêem e falam, sendo assim, uma maior sistematização das regras gramaticais e, principalmente, acreditar que são capazes de escrever corretamente.
Sabemos que os alunos quando ingressam no GAP apresentam inúmeras dificuldades, entre elas posso relatar as mais comuns: inquietação, falam demasiadamente e ouve pouquíssimo, vergonha e timidez andam juntas, além da total desorganização no caderno/carteira/estojo/espaço, baixa auto-estima, falta de educação e desrespeito consigo e com o próximo. Para tanto, o trabalho no GAP é diferenciado, é necessário que o professor tenha um equilíbrio diferenciado para lidar e atuar com essas inúmeras dificuldades; primeiramente precisamos conquistar a confiança desses meninos e, em conjunto, compartilharmos o carinho, a paciência, dedicação e, o mais importante a persistência... Não podemos deixar de lado os ricos e amáveis “combinados”, pois são eles que mantêm o equilíbrio de todo o trabalho desenvolvido. Assim, podemos e, ao mesmo tempo, provocamos os desequilíbrios necessários para que os avanços aconteçam naturalmente e na seqüência. Sendo assim, aplico quase em todas as aulas a montagem de palavras com as famílias silábicas e as vogais, dá para perceber os sons, que com os pedaços (sílabas) podemos montar palavras e dessas palavras podemos montar frases, repetir quantas vezes necessitar e assim por diante. É uma excelente ferramenta de trabalho que faz o aluno pensar/ler/criar/perceber/refletir/aprender /desafiar o tempo todo.
Tenho um relato especial a deixar aqui, pois bem... É de um aluno que está há três anos no GAP, este menino é o J.M....
         Aluno que chegou à aula totalmente deprimido, sem brilho no olhar e sem ânimo algum. Tudo o que realizava não guardava na memória, o que aprendia hoje, amanhã parecia ser novidade... Inquieto, briguento e revoltado com tudo e com todos. Seus colegas pareciam rivais... Enfim, passaram-se os anos e, JM começou a perceber os sons das vogais, de algumas consoantes, a ordem do alfabeto, algumas famílias silábicas e, aos poucos, foi retendo as informações por meio de repetições. Assim, surgiram as primeiras palavras embora com omissão de algumas letras, mas já era o bastante para entender o significado do que queria escrever. As brincadeiras realizadas durante as aulas também o ajudou para que superasse a timidez e assim, foi conquistando espaço e adquirindo segurança e reconhecimento, foram tantas intervenções... Tantas leituras... Tantos cartazes... Tantas fichas... Tantos ditados... Foi o que realmente fez a diferença com este aluno, pois hoje se encontra lendo e escrevendo pequenos textos com um novo brilho no olhar, resgatou a auto-estima e apresenta compromisso no que realiza.
Acredite... O trabalho realizado no “GAP” é diferenciado porque faz toada à diferença, não somente para o JM, mas para uma turma de crianças, conquistando assim, o sorriso e a alegria de aprender a ler e escrever e ser muito, muito feliz!!!